23 de julho de 2011

Kit antigos e novos: uma forma de colecionismo

Embora possa parecer estranho, as caixas dos kit também podem ser colecionadas mesmo kits não montados. De fato, apesar de a maior parte dos modelistas estar habituada a comprar uma caixa de montagem apenas com a intenção de construir o conteúdo, aumenta de dia para dia o número daqueles que se dedicam a colecionar caixas antigas de kit que, para valerem realmente alguma coisa, devem estar em bom estado e completas, com a folha de intruções, as decalques e, obviamente, o modelo rigorosamente por montar e com todas as peças.


Para este tipo de colecionismo será preciso documentarmo-nos bem acerca do mercado dos kit a fim

de sabermos que produtos, marcas ou modelos são realmente raros e, por isso, muito procurados.

Quase sempre, o colecionador de caixas de kit também é, ou foi durante algum tempo, um modelista que, como aconteceu a alguns, a dado momento acabou por perceber que juntou um significativo número de modelos ainda por montar que já não terá tempo de construir ao longo da vida (o que é mais que certo se se atingem centenas ou, mesmo, mais de mil caixas ainda intactas). Se, nesse momento, o modelista resolve guardar todas as caixas (embora sabendo que nunca as poderá montar todas), teremos um novo colecionador cujo interesse se manifesta agora mais por possuir um determinado modelo e não tanto por o construir. Na maior parte das vezes, cada um de nós compra as caixas dos modelos segundo um determinado interesse, frequentemente pelos aviões de um certo período histórico ou, então, de uma determinada nacionalidade ou, ainda, de um tipo concreto (por exemplo, biplanos, monomotores, torpedeiros, caças, etc.).
Qualquer que seja o nosso interesse, mais tarde ou mais cedo não conseguiremos encontrar um determinado modelo porque já há muito se esgotou ou por nunca foi fabricado. O desejo de completar uma série (por exemplo, uma coleção de caças da Primeira Guerra Mundial) é o motivo mais corrente que nos leva a procurar modelos raros e que não se encontram nos canais comerciais habituais e é evidente que ver essa procura finalmente coroada pelo êxito constitui um motivo de grande satisfação. Quando se decide empreender uma coleção deste tipo, é muito importante fixar temas a fim de evitar uma dispersão de esforços na busca de objetivos demasiado vastos: um tema possível é o de só procurar modelos de uma determinada época histórica, como os já citados caças da Primeira Guerra Mundial ou, mesmo, que tenham em comum alguma característica fora do comum (por exemplo, entrarem em filmes de êxito, como os numerosos modelos dedicados a "007").


O "James Bond Autogyro" de 1967 da Airfix, é nos dias de hoje um dos mais
valiosos kit de plástico, atingindo valores muito autos em leilões.

Outro tema possível pode ser a coleção de modelos apenas de uma marca, especialmente se centra a coleção nuns anos concretos (um exemplo clássico é o dos procuradíssimos modelos da Revell  fabricados nos anos 50/60).
Antes ainda de começarmos a procurar qualquer possível local onde se possam encontrar modelos antigos (armazéns de modelismo, papelarias, lojas de antiguidades, ferros-velhos, etc.), devemos ter uma ideia daquilo que pretendemos: revistas especializadas, livros, folhetos e publicações para colecionadores, catálogos antigos, etc. Todos eles são fundamentais para adquirirmos os conhecimentos indispensáveis para sermos bem sucedidos nas nossas buscas e, também, para não sermos vítimas de possíveis e dispendiosas fraudes... A maneira mais eficaz de facilitarmos as nossas buscas talvez seja estabelecermos contato com outros colecionadores, com os quais poderemos trocar informações e modelos; a troca ainda é o método mais eficaz de procurar modelos raros e é com esse objectivo que se organizam bolsas de troca, o melhor será procurar, andar a par das feiras e exposições que se realizam (com alguma irregularidade, diga-se de passagem) e cujas datas e locais são, por vezes, anunciados na imprensa e nas lojas de modelismo. Os locais privilegiados de encontro entre colecionadores de caixas de kit são os clubes e associações dedicados a este hobby e, embora existam em diversos países europeus, o melhor e mais famoso é o norte-americano SPESMKC (Society for the Preservation and Encouragement of the Scale Kit Collecting), sediado em Oklahoma.





22 de julho de 2011

Pintura: preparação e proteção

Depois de nos certificarmos que, após emassar e lixadas, as superfícies do modelo não apresentam imperfeições,  podemos passar à pintura.

A pintura é a fase mais delicada e importante da realização de um modelo, a que tem maior influência no resultado final, e a que determina a boa ou má qualidade da consecução dos nossos esforços. Para se obter uma pintura de aparência real é indispensável realizar algumas operações que visam preparar as superfícies para receberem a tinta.

Com efeito, todos os modelos de plástico estão cobertos por uma ligeira camada de gordura (resíduos do processo de injeção) que pode prejudicar o bom êxito do processo de pintura e que deve, portanto, ser eliminada. Também devemos eliminar as "impressões digitais" deixadas sobre as superfícies durante a montagem e o eventual pó acumulado durante o processo de lixagem. Tudo isso pode ser conseguido com uma lavagem completa do modelo, utilizando um pano ligeiramente embebido em água e sabão ou um pincel e álcool (melhor se for de ponta lisa e de grandes dimensões) para eliminar o pó e secar logo que surja qualquer traço de humidade. Em vez de lavarmos o modelo, mergulhando-o na água, devemos colocá-lo debaixo de uma torneira, caso contrário, fica cheio de água nos sítios mais escondidos e demora alguns dias até secar por completo. Antes de começarmos, devemos limpar o local onde vamos proceder à pintura: o ideal é termos uma mesa exclusiva para essa tarefa, mas, se tal não for possível, um plano rígido de apoio (por exemplo, uma tábua de madeira) e umas folhas de jornal coladas com fita-adesiva, para proteger o espaço circundante, também serve. As cabines de aérografo (revestidas interiormente com tecido antiestático) constituem uma ótima solução. E também podemos construir uma, improvisando-a com uma caixa de cartão. O modelo, pronto a ser pintado, nunca deve ser apoiado diretamente sobre a mesa de trabalho, mas, sim, ser fixado num suporte (de preferência com um bom ângulo de rotação) que permita colocá-lo em qualquer posição, dependendo da necessidades da operação, evitando assim tocar-lhe com as mãos. Quer o modelo vá ser pintado a spray ou aérografo, quer a pincel, é normalmente necessário proteger algumas zonas (por exemplo, o cockpit, os poços do trem de aterragem ou zonas já pintadas) para que não sejam pintadas com a cor que estivermos a utilizar nesse momento.

A proteção dos poços e porões pode fazer-se simplesmente enchendo o buraco com algodão (pois tem tendência a descolar-se) ou com Parafilm M, enquanto que para as superfícies exteriores podemos recorrer ao líquido protetor (Maskol, etc.), uma película semi-transparente aplicada a pincel que é facil de retirar depois de seca. A fita adesiva (fita de mascaramento) é indispensável, sobretudo quando precisamos de traçar linhas de separação entre cores limpas e precisas.

É aconselhável o uso de fitas de modelismo (como as produzidas pela Tamiya em diversas larguras) de ligeira aderência, cuja aderência pode ser previamente reduzida colando-as e descolando-as várias vezes na palma da mão.
A fita-adesiva transparente, sobre a qual podemos escrever, é muito útil, pois, após aplicarmos sobre a zona em questão, traçamos uma linha divisória exata e retiramos o excedente com um estilete bem afiado e sem pressionarmos de mais.
As zonas mais extensas do modelo podem ser protegidas com fita de pintor de automóveis e recortadas no formato necessário.

Retire a película protetora dos poços dos trens de
aterragem, só depois de terminada a pintura.