22 de novembro de 2010

A montagem do cockpit

Para que um modelo fique bem feito é necessário prestar a mesma atenção à montagem e pintura das superfícies exteriores de zonas menos vísiveis, como o cockpit, os interiores dos porões das bombas e do trem de aterragem, motores, etc. O cockpit reveste-se de particular importância, quer pela complexidade e quantidade de detalhes que o caracterizam, quer por ser a parte do modelo à escala que mais atrai a atenção e curiosidade de um observador externo.
A montagem e pintura do cockpit não apresentam dificuldades especiais em relação ao resto do modelo, exepto o fato de o pequeno tamanho das peças exigir uma maior atenção, sobretudo na disponibilidade de instrumentos adequados (são indispensáveis pinças e pincéis de ponta redonda de pequeno diâmetro e com cerdas de boa qualidade). De um ponto de vista modelista, o que distingue o cockpit do resto do modelo é a necessidade de acrescentar detalhes que, terminado o trabalho, permitirão melhorar de forma substancial o aspecto geral do avião. Não há nada pior que um modelo, aparentemente bem construído, mas que, visto de perto, revele ter sob a canópia uma simples e triste simulação de piloto e assento.

Pode ver-se um modelo perfeito do cockpit de um F-16 (1:32), através do qual se pode avaliar o cuidado que é necessário para se obter uma réplica deste género.


Para se obter um bom resultado é absolutamente necessário não esquecer que as peças devem ser recortadas em separado, antes de serem montadas e antes da colagem das duas metades da fuselagem. No que respeita aos detalhes, é possível obter bons resultados, com pouco esforço, fazendo apenas sobressair os mais visíveis, sem ter pretenções de reproduzir tudo o que se encontra no cockpit. Elementos que nunca devem faltar num cockpit são: a manche de comando, muito simples de fazer com um pouco de sprue estirado na chama com o diâmetro adequado e um alfinete, e os cintos de segurança do assento, feitos com tiras de masking-tape ou folha de alumínio pintadas de cor clara em tons de beige. Um toque de maior realismo pode ser conseguido através dos fechos dos cintos, reproduzíveis à escala mais pequena (1:72) pintando em prateado ou alumínio as extremidades dos próprios cintos. Outros pormenores fáceis de realizar são os comandos de alimentação do motor (uma ou mais alavancas situadas na parte esquerda da fuselagem) e, nos aviões da Segunda Guerra Mundial, o retrovisor fixado sobre o painel de instrumentos, característico dos aviões modernos, em troca dos HUD (Head Up Display, literalmente "painel de cabeça alta"), cuja função é dar ao piloto dados úteis sobre o voo sem que se distraia da visão exterior. O HUD está colocado sobre o painel e pode ser facilmente representado por um rectângulo de acetato ou de plasticard transparente.

Pode ver-se o cuidado nos pormenores do painel de instrumentos e HUD de um F-104 (1:32).



O assento ejetável é de particular importância nos cockpit dos aviões modernos , mas as peças existentes na caixa do kit reproduzem-no frequentemente com pouco detalhe. Uma excelente alternativa ao difícil trabalho de moldar a peça original é a sua substituição completa por um assento do mesmo tipo produzido por firmas especializadas nestes acessórios, como a Verlinden, Extra Tech, Cutting Edge, True Detail, etc. Por último, é preciso prestar especial atenção à colocação correta da peça que representa o painel (quase sempre pintada de preto, cinzento-escuro ou verde-tropa) e, se existem, à colocação dos decalques que reproduzem os instrumentos.


Assento ejectável em resina (1:32).


Painel de instrumentos de um Bf109E (1:32), onde se podem ver os manómetros detalhados.

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