26 de fevereiro de 2010

Fabricação de um modelo

Os modelos de plástico injetado são os mais correntes no mercado, deles se encontrando grande diversidade. As diferentes peças que constituem um modelo são obtidas por injeção, a alta pressão, de material plástico chamado polistireno em moldes constituídos por meias-conchas de aço, tendo gravados no seu interior os pormenores e os relevos a representar. É evidente que a perfeição das gravuras e a exatidão dos detalhes representar dependem da rigorosa execução dos moldes, qualidade que pode variar de um fabricante para outro. Esta técnica de fabricação oferece a possibilidade de reproduzir peças de espessuras e formas diferentes e de representar detalhes particularmente finos, tais como painéis de estrutura e linhas de rebites num avião, veios da madeira na ponte de um barco, etc. Existem também modelos estampados por vácuo (vacuform). As diferentes peças são moldadas por aspiração num molde (ou forma), por vácuo, e encontram-se reúnidas na mesma folha de plástico. Para montar o modelo é, portanto, necessário recortar cada peça com a ajuda de uma lâmina e ajustá-la com precisão antes de proceder às montagens, sempre delicadas em virtude da pequena espessura da matéria plástica. Este tipo de moldagem por aspiração só comporta detalhes muito reduzidos, sendo constantemente necessário utilizar peças provenientes de outros modelos de plástico injetado, tais como rodas, hélices, motores, etc., para completar a montagem. Este género de molde, que se aplica principalmente a aviões pouco conhecidos que não foram ainda produzidos em plástico injetado, está sobretudo reservado aos modelistas experientes, que desejem construir uma coleção original.





O que é um Kit ?


A palavra inglesa kit (que significa jogo, ou conjunto de construção) substituiu a expressão "caixa de construção" na linguagem dos modelistas e é utilizada actualmente para designar os conjuntos de modelos de plástico. Encontram-se assim à venda kits de importância e de preços diferentes, desde o pequeno avião à escala 1/144, com apenas alguns centímetros de envergadura, até ao magnífico barco histórico de perto 1 m de comprimento. As diferentes peças que constituem o modelo estão reúnidas numa ou várias grades de moldagem; os fabricantes colocam essas grades em saquinhos lacrados para se evitar a perda de peças durante o acondicionamento. Cada peça está presa à grade formada pelos canais de injeção por alguns espigões deixados pelos orifícios de injeção no molde. Na maior parte dos casos, as peças são identificadas por um número gravado, junto de cada uma ou na sua face não visível, após a montagem. Esta numeração consta também das intruções de montagem para indicar a ordem progressiva das operações. Nos modelos mais complexos, com grande número de peças exigindo a moldagem de várias grades, cada conjunto é indicado por uma letra para facilitar a busca e a identificação de cada peça. Nos kits da firma Italeri (ex-Italaerei), por exemplo, apareciam desenhados nas intruções os conjuntos de grades, identificados por um sinal: circunferência, quadrado, triângulo, etc.


Montagem e apresentação das peças

Para facilitar montagens corretas e evitar riscos de deslize durante a colagem, algumas peças constituídas por meias-conchas dispõem de pinos de centragem com uma parte macho e uma parte fêmea; outras dispõem de fendas ou de entalhes colocados assimetricamente, para evitar qualquer risco de erro na montagem. Na maior parte dos kits, as peças são integralmente numa só cor que se aproxima o mais possível da do modelo original a representar. Em certos modelos, as diferentes grades de moldagem são de cores diferentes, consoante a utilização das peças. Assim, num kit de automóvel encontramos uma grade negra com as peças do châssis e outros acessórios, uma grade cor de alumínio para as peças dos cárteres do motor e da caixa de velocidades e a grade das peças da carroçaria conforme a cor do modelo original a representar; existem ainda as peças cromadas ou com o aspecto de metal polido (tratamento anódico da matéria plástica) que representam os acessórios, os cárteres dos motores, as coberturas dos cárteres, etc. Todavia, se a apresentação destas peças em metal cromado ou polido dá um aspecto muito realista aos modelos das viaturas e das motos, é raro que as peças pintadas integralmente dêem o mesmo resultado numa carroceria de automóvel ou na parte "ciclo" de uma moto.
É sempre melhor, nestes casos, aplicar uma pintura. As peças transparentes servem para representar as partes vítreas de um modelo: pára-brisas, vidros, luzes, canópi dos aviões, etc.; são moldados da mesma maneira em polistireno transparente. Estas peças devem ser manipuladas ainda com maiores precauções, porque a matéria plástica se parte e risca com facilidade. Em cada kit inclui-se também um conjunto de motivos de decoração, quer sob forma de decalques molhado em água para soltar os motivos, quer sob forma de aplicações a seco (género Letraset). No que respeita aos modelos de aviões ou de veículos militares, pode-se geralmente escolher entre diferentes versões propostas na folha de instruções. Os motivos correspondentes constam do conjunto de decorações: distintivos, insígnias de unidades, matrículas, etc. Enfim, encontra-se em cada kit uma folha de instruções de montagem, ilustrada com desenhos e, por vezes, com fotos representando as diferentes fases de montagem do modelo que ajudam a compreender o modo de proceder. Note-se, a este respeito, que nem sempre os textos são indispensáveis e que algumas folhas de instruções nem sequer têm texto; as operações a efetuar, como, por exemplo, "colar" ou "não colar", são indicadas nos desenhos por sinais ou símbolos que permitem uma compreensão "internacional".



Legenda de símbolos gráficos utilizados pela "Airfix" para descrever as operações a realizar.


 
Utilização de metal em certos modelos
 
Alguns kits, principalmente para modelos de automóveis e motos, contêm peças de metal injetado (die-cast), em complemento das peças de matéria plástica, que permitem a construção de partes mecânicas funcionais: suspensões de molas, quadros de motos,  discos de freios, etc. O metal é, aliás, cada vez mais utilizados por
alguns fabricantes que produzem agora kits mistos de plástico e de metal. Foi assim que a empresa italiana Protar, especializada na reprodução de motos de desporto e de competição à escala constante de 1/9, apresentou uma série de modelos que incluiam o quadro, a suspensão traseira funcional, fabricados em metal branco injetado, e minúsculos parafusos metálicos para efetuar as montagens; somente algumas peças de plástico eram de colar. A fábrica americana Monogram produz também uma série de viaturas à escala 1/24 com carroceria inteiramente de metal injetado, montada num châssis composto de peças de plástico. A firma italiana Pocher, especializada em modelos de automóveis "grand standing" à escala 1/8, utilizou o plástico para a carroceria e os acessórios, a borracha para os pneus, o couro para os assentos e as guarnições das portas e o metal (latão) para as partes mecânicas funcionais. Existiram também modelos de automóveis inteiramente executados em metal injetado, produzidos pelas fábricas Hubley, Auto-Replica, etc.

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