8 de fevereiro de 2010

A construção de um ambiente

Um diorama é um conjunto de modelos (aviões, tanques, figurinos, veículos, etc.), sobre uma base devidamente ambientada, que pretende representar uma cena real ou imaginária. O diorama tem sido sempre muito popular em modelismo, sobretudo quando representa temas bélicos, embora nos últimos anos, tenham aparecido trabalhos bastante bons sobre outros temas (desportivos, "fantásticos", etc.). Nesta caso não será abordada a construção de um diorama, mas sim a de um ambiente simples (base ou vinheta) para os seus modelos acabados.


Uma vinheta oferece vantagens sobre uma base mínimamente decorada, e evitam-se manuseamentos desnecessários nos modelos em causa. A construção destes simples ambientes proporcionam-nos a experiência necessária, para que mais tarde, com maior segurança e confiança, se realize um diorama. Para começar, necessitará de um suporte, que pode ser uma placa de aglomerado de 15 mm de espessura, apropriada às medidas do modelo que vai receber.


Para um bom acabamento, devem-se chanfrar os cantos da madeira ou utilizar uma moldura. Em ambos os casos, terá de cortar os quatro lados em esquadria (ângulo de 45º), começando pelos mais largos se houver necessidade de rectificar. Uma vez cortadas à medida, as ripas serão coladas à placa de madeira de base (não se preocupe demasiado com a perfeição da esquadria; por vezes, e por muito que se tente, não sai perfeita). Cubra as falhas com cola branca, e uma vez seca, nivele com lixa. Se a moldura for envernizada, apenas se notarão esses retoques. De seguida, reúna os materiais necessários para criar o ambiente: cola branca, areia fina, algumas pedras, ramos de tomilho, musgo finlandês, pasta de madeira (cola branca misturada com serradura muito fina) e uma espátula de modelar.

Outros materiais úteis são o Matte Medium artístico, pasta de papel, brochas e pincéis velhos, argila, pigmento (tinta em pó), etc. Mistura-se a pasta de madeira com água para obter uma massa homogénea e preenche-se o interior da moldura até atingir o nível necessário. Se quisermos, podemos agregar à pasta algo como pigmento (para a colorar), ou misturá-la com areia, pedra-pomes e pequenos ramos de tomilho, adicionando também um pouco de cola branca, para dar mais consistência à mistura. Tudo o que possa transmitir realismo à cena é válido. Enquanto que a pasta está húmida, pode-se colocar um pouco de musgo ou um ramo de tomilho, e também marcar os rodados dos veículos, se acharmos conveniente.


Em certas ocasiões, interessar-lhe-á reproduzir um terreno arenoso, que conseguirá misturando cola branca com água e polvilhando com areia. Uma vez seca, retira-se a areia em excesso e pinta-se, utilizando a técnica do pincel seco. Como complemento, devem-se utilizar as seguintes técnicas, igualmente válidas:


Lavagens: mistura de muito solvente (terebentina) e pouca tinta, que se aplica aos poucos, com um pincel grosso.
Defumados: traços a pincel, cujas uniões se "fundem" com suaves retoques de solvente.

Pintura em fresco: adição de cores sobre a base ainda fresca, misturando-as com movimentos rápidos do pincel.

Estas técnicas, em conjunto com o pincel seco, são válidas tanto para pintar com as tintas de esmalte habituais, óleos ou acrílicas.


O procedimento básico pode ser apreciado nesta fase. Foram usadas têmperas e tintas acrílicas, indistintivamente, pelo que se podem misturar. Sobre o terreno já terminado, foi aplicada uma lavagem de cor negra. Deixa-se secar muito bem entre cada de mão, para que as cores não se misturem entre si. Depois, com a técnica do pincel seco, são dadas sucessivas camadas de sombra natural, ocre, ocre misturado com branco e branco misturado com um pouco de ocre.

Quando o terreno o peça, pode-se aplicar por cima de uma lavagem de cor negra ou sombra natural, cores como o vermelho, o verde e o cinzento; na continuação, procede-se como anteriormente referido. Terá também de variar as cores base, conforme cada caso. Assim sendo, um terreno desértico terá de ser tratado desde o início com cores mais suaves, ao contrário de uma paisagem serrana. 


Em primeiro lugar, deverá aplicar uma lavagem de base, misturando cores como siena queimada (burnt sienna) e ocre claro, para que depois se possa aclarar em sucessivas passagens a pincel seco, até chegar ao branco quase puro. Como complemento, ficaria adequada alguma vegetação característica. Em segundo lugar, pinta-se com cores como o sombra natural, para que depois se possa aplicar a pincel seco, cores como o amarelo escuro (Dark Yellow ou similar), finalizando com pequenos retoques desta última cor misturada com muito pouco branco. Alguns pedaços de musgo estratégicamente colocados, concluem o trabalho.


Se utilizar tintas de óleo, dilua-as com terebintina (nunca com diluente - demorarão semanas a secar), até que tenham a mesma consistência das tintas de esmalte (enamel). Se não existe nenhum kit no mercado que satisfaça as suas exigências, pode construí-lo você mesmo. Também aqui pode ajudar uma foto ou desenho similar ao que se pretende realizar.

Para pintar uma paisagem "fantástica", não se deixe guiar por nada existente, use a imaginação e as cores que quiser, com a condição de as "fundir" bem, e aproveite para experimentar. Anote as cores e a ordem das misturas que utiliza, para que de futuro possa repetir "aquele" efeito que tanto gostou. Se quiser incluir uma pequena construção no seu ambiente, o seu tratamento deverá ser similar ao que o terreno recebeu.


Se a construção é um kit de plástico, utilizam-se tintas de esmalte, tintas de óleo ou uma mistura de ambas para a decoração. Começa-se por dar uma de mão de brancomate como primário. Depois, inicia-se a pintura, utilizando as cores adequadas.


Se o terreno que lhe interessa reproduzir é rochoso, utilize contrastes fortes, tanto nas cores de terra como nos cinzentos. Finalize com um ramo de tomilho, para auxiliar ao efeito. Como materiais básicos, podem ser utilizadas placas de madeira aglomerada, balsa, ripas de madeira, etc. Se não é muito experiente, começe por ambientes simples para os seus modelos. Não tenha pressa, pouco a pouco, e sem se dar conta, irá iniciando projectos cada vez mais complexos.


Autor: rkowas

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