22 de outubro de 2009

A pintura de base

Uma vez preparado o nosso modelo e reunídas todas as tintas necessárias (naturalmente só utilizaremos tintas para modelismo de plástico, as únicas que garantem a integridade do material do modelo e de um bom resultado final), vamos começar a pintura. Começaremos pelos vãos e porões e, depois de secos e protegidos, passaremos às superfícies externas do avião. Existem duas formas de pintar um modelo: à mão, utilizando pincéis, ou com aérografo, e, em determinados casos, com spray. Os pincéis, preferidos sobretudo pelos modelistas mais novos, são bastante mais baratos que um aérografo, ao qual há ainda que acrescentar o custo do compressor, ou das botijas de ar comprimido. Além disso, os pincéis são mais fáceis de utilizar: com um pouco de habilidade e experiência é possível obter ótimos resultados. No entanto, quem quiser obter um resultado final de aspecto verdadeiramente real não pode prescindir da utilização do aérografo, instrumento fundamental para quem pretenda fazer do seu modelo uma verdadeira réplica, à escala, do original. O aérografo ou, em alguns casos, o spray, é indispensável para a pintura metalizada de zonas maiores, extremamente difíceis de pintar a pincel.



Segure o modelo com um cabide metálico dobrado,

de modo a ser inserido nas aberturas da fuselagem.

É muito importante utilizar pincéis de boa qualidade (os melhores são os de pêlo de marta), de ponta suave e sem deformações. Para os mantermos em bom estado devemos limpá-los cuidadosamente, secá-los bem depois de usados e arrumá-los de maneira que a ponta não se dobre. Antes de pintarmos, devemos mexer muito bem as tintas, utilizando um palito ou um clip, e não o pincel, e eliminarmos as impurezas (cuidado para que não caiam no interior pequenas impurezas que se formam na tampa da lata). Molhar só a ponta do pincel, para retirar pouca tinta de cada vez, e espalhar sobre a superfície utilizando, sobretudo se se trata de zonas grandes, um pincel de ponta plana, Para evitar que depois de seca a pintura revele vestígios das pinceladas, estas devem ser dadas sempre na mesma direção, sem voltar a insistir em zonas já pintadas, nem, pior ainda, passar com o pincel transversalmente à direção da primeira de mão. Quando for necessário aplicar uma segunda de mão, é importante esperar até que a primeira esteja completamente seca (algumas horas para os esmaltes, menos tempo para os acrílicos). Se dermos uma de mão numa zona que ainda não esteja seca, dar-lhe-emos um aspecto semelhante ao de um campo lavrado e não de uma asa ou fuselagem de avião. No caso de modelos com linhas de separação de cores vincadas (faixas de identificação ou camuflagens regulares), devem delimitar-se as zonas com masking tape ( Tamiya  ou outra marca); devemos passar com o pincel ao longo da fita, ligeiramente na diagonal, e iniciar a pintura na própria fita, para evitar que a tinta passe para baixo, anulando a sua função.



No que se refere aos aérografos, algumas regras simples permitem evitar os erros mais comuns. Em particular, nunca usar tintas de uma marca e diluente de outra pois, embora ambas sejam sintéticas, raramente existe compatibilidade total entre eles, e a mistura pode não ficar totalmente homogénea. Garantir que a tinta está totalmente isenta de impurezas é uma exigência primordial; ainda mais importante do que na pintura a pincel, e é conveniente filtrá-la para eliminar as mais pequenas impurezas. Tem de se ter muito cuidado para não aproximar demasiado o aérografo do modelo e para não aplicar tinta a mais, levados pela ansiedade de ver resultados o mais rapidamente possível. Em qualquer dos casos podem ocorrer problemas que prejudicam o acabamento do modelo. Uma boa regra é começar a pintar sempre com a cor mais clara do padrão de camuflagem, a não ser que esta ocupe uma superfície inferior à da cor mais escura. Se o modelo é fabricado em plástico de cores escuras, ou neutras, é necessário aplicar uma de mão de primer  por exemplo, cinzento-claro, antes de aplicar a cor final.

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