9 de setembro de 2009

Desgaste e danos

Quando reproduzimos um avião não nos podemos esquecer que estas máquinas, como quaisquer outras, são sujeitas a uma utilização intensa, não se mantendo em perfeitas condições, durante muito tempo, mostrando os evidentes sinais de desgaste e envelhecimento resultantes da atividade operacional. Além disso, se o modelo que estamos a montar participou em operações de combate, é natural que a manutenção acelarada, ou os eventuais danos causados pelo inimigo, alterem substancialmente o seu aspecto, de tal maneira que um modelo que reproduza o aparelho à saída da fábrica pareça pouco credível. Assim, uma construção que copie verdadeiramente o modelo real deve ter em conta estes elementos, não se limitando à precisão da montagem ou pintura. A primeira regra a seguir para conferir ao modelo um aspecto real é não exagerar: por exemplo, não devemos esquecer que o ambiente onde opera um avião não é igual àquele em que opera um carro de combate, e que nenhum avião pode ultrapassar um determinado nível de desgaste, a baixo do qual não pode continuar ao serviço. Além disso, é fundamental consultar uma boa documentação a fim de verificar o tipo e as zonas de desgaste característicos de cada avião, evitando assim erros de palmatória como, por exemplo, marcas de ferrugem em zonas de madeira ou tela. O mesmo é válido para as manchas de lama (não aplicável aos modernos aviões a jato ocidentais que só podem operar a partir de pistas asfaltadas ou de cimento), ou de combustível (que devem estar localizadas junto aos tampões de combustível).
Entre os sinais de desgaste mais vulgares, contam-se as falhas de tinta que deixam a descoberto as camadas inferiores ou, mesmo, o metal; essas falhas são particularmente visíveis nos bordos de ataque das asas, dos hélices e dos estabilizadores horizontais e verticais. A camada superficial da pintura também aparece frequentemente desgastada em zonas como a base das asas ou em torno do cockpit, sujeitas ao desgaste contínuo de mecânicos e tripulações. As falhas de tinta podem ser reproduzidas através da técnica do "dry-brush" (molha-se a ponta do pincel num pouco de esmalte prateado brilhante, ou qualquer outra cor escura, remove-se a maioria de tinta do pincel num papel, deixa-se secar durante uns dois minutos, e então, passa-se o pincel suavemente sobre a área a ser pincelada a seco), ou pintando a zona de prateado antes da pintura camuflada. Depois de concluída a pintura, passamos um pouco de lixa fina sobre o prateado para simular o desgaste. A técnica do "dry-brush" também pode ser usada, mas com esmalte branco-mate em vez de prateado, para simular o simples envelhecimento da pintura ou para realçar alguns pormenores, como os rebites ou as porcas das jantes.
As marcas negras produzidas pelos tubos de escape ou pelas armas fixas podem ser reproduzidas com esmalte preto diluído, cada vez mais diluído quanto mais nos afastamos da zona principal. Neste caso, para a obtenção de um bom resultado é particularmente importante utilizar um aérografo. O preto-fosco diluído,  também podem ser usados para reproduzir manchas de óleo ou combustível. Também no que diz respeito a eventuais danos de combate, há que respeitar a regra da moderação, não exagerando: assim, devemo-nos cingir a zonas não vitais do avião (ou não estaríamos a reproduzir um avião, mas sim, uns destroços irreconhecíveis). Os pontos de impato dos projéteis podem ser simulados de forma muito realista com um berbequim de modelista com uma broca esférica: atuando sobre a parte interna da fuselagem na zona desejada (por exemplo, metade de uma fuselagem), furando o plástico de um lado ao outro lado, obtemos um orifício de forma irregular e com bordos que simulam a chapa metálica do revestimento. Um pouco de tinta prateada nos bordos completará a simulação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário