31 de agosto de 2009

Conservação e manutenção dos modelos

O inglês Chris Ellis, autor de livros de modelismo nos anos 70, identificou vários dos piores inimigos das maquetes e classificou-os por ordem de importância: o pó e as pessoas. De fato, como já devem ter percebido, os modelos são extremamente vulneráveis e delicados e devem ser constantemente defendidos de agressões ambientais de diverso tipo.
É com demasiada frequência que muitos dos modelistas, que cuidam até ao último pormenor da montagem e da pintura dos seus modelos, se esquecem do modelo logo que o acabam e, depois de o terem admirado durante alguns minutos com grande satisfação, o abandonam numa estante a encobrir-se de pó e à mercê de crianças e da indiferença (para já não dizer manifesta hostilidade...) de mães, esposas, namoradas e empregadas domésticas. O resultado é que, ao cabo de algumas semanas, o modelo cuja realização exigiu tanto empenho e que tanto nos havia orgulhado, fica tão estragado (empoeirado, sem trens de aterragem, antenas,  metralhadoras, pás dos hélices, etc...) que dificilmente poderá ser reparado, e o melhor é joga-lo
na lata do lixo (recuperando, antes disso, todas as peças que mais tarde possam vir a ser úteis) e começar a pensar, antes de iniciar a construção de outros, num remédio para evitar que os próximos modelos tenham a mesma sorte.
O único modo verdadeiramente eficaz para garantirmos aos nossos modelos uma longa e tranquila vida é colocá-los numa vitrina que, além de os proteger do pó e das atenções indesejáveis, permite admirá-los com segurança. Frequentemente, as vitrinas são muito caras e não estão ao alcance dos modelistas mais jovens e, de um modo geral, exigem um espaço que nem sempre existe em nossas casas. Uma solução poderá ser construirmos nós próprios a vitrina,  além disso, conseguimos assim poupar dinheiro e aproveitar completamente o pouco espaço disponível. Como alternativa às vitrinas, poderemos servir-nos da disponibilidade de um velho armário: desde que tenha estantes, podemos guardar aí um grande número de modelos construídos e aproveitá-lo também como depósito de caixas de kit's e de ferramentas, evitando assim deixá-las à vista. As caixas também se podem converter num abrigo eficaz para os nossos modelos embora corramos o risco de nos esquecermos deles durante meses ou, mesmo anos, descuidando assim a manutenção fundamental de que normalmente precisam. Por fim, uma boa solução consiste em utilizar caixas
de vidro acrílico transparente (Plexyglass),  estas caixas não são caras, têm a vantagem de ser empilháveis e, ao mesmo tempo, permitem proteger e admirar a nossa colecção.
Quando, por qualquer motivo, nenhuma destas soluções aqui indicadas é possível, existe, desde que os modelos sejam poucos - dois ou três, no máximo e estejam verdadeiramente bem feitos, uma hipótese extrema: pedir na nossa loja habitual de modelismo para que exponham lá os nossos modelos, garantindo-lhes uma protecção adequada e fazendo-nos sentir orgulhosos sempre que por lá passamos. No que diz respeito à manutenção, é preciso lembrar que, após um certo tempo, mesmo os modelos mais bem protegidos se cobrem de uma camada de pó e que, inevitavelmente, é mais do que provável que, por qualquer razão, peças pequenas e especialmente delicadas, como as antenas, as armas, os tubos de Pitot e de Venturi, etc., se descolem e pode mesmo acontecer que o trem de aterragem acabe por ceder com o peso do modelo. Por isso, é preciso inspeccionar de vez em quando (pelo menos uma vez por mês) o modelo para ver se está em boas condições, colando rapidamente as peças descoladas e limpando o pó. O melhor método para eliminar o pó é usar um pincel muito macio e grande (por exemplo, um nº5) ou um pincel de barba velho, tendo sempre o cuidado de não danificar qualquer peça. No caso de não se conseguir tirar o pó todo, podemos lavar as superfícies com um pincel e um pouco de água fria, deixando sempre depois que a maquete seque por si, à temperatura ambiente.

24 de agosto de 2009

O conceito Diorama - como realizar.

O seu modelo pode ser valorizado se for apresentado no quadro de um cenário ou de um diorama. O cenário é composto de um ou de dois temas rodeados de personagens; o conjunto é disposto numa pequena superfície. Os temas possíveis são númerosos e cada um pode dar livre curso à sua imaginação: encontro num cruzamento, avaria, momento de descanso durante uma missão, briefing em redor de uma carta do estado-maior, etc. Para os aviões, são principalmente as cenas de preparação para uma missão ou de revisão, ou ainda de choque ou acidente. O diorama reúne um maior número de temas, com um cenário mais elaborado, realizado em três dimensões: campo de aviação com diferentes tipos de aviões, cenas de combate entre beligerantes, etc. Para o ajudar a realizar tais cenários, encontrará numerosos acessórios à escala 1/35, principalmente Heller, Tamiya e Italeri. As gamas são múltiplas e compreendem também armamento individual, sacos de areia, postes de orientação, postes telegráficos, cavalos de frisa, bidões e jerricans, muros de tijolos, panos de muros em ruínas e outros temas diversos. Pode utilizar os materiais mais variados para fazer a base do cenário; para os relevos, empregue placas de esferovite, material leve que se trabalha facilmente, apesar de muito rígido e indeformável a partir de certa espessura. O terreno pode ser feito com Polyfilla, espécie de gesso plástico muito leve, de preferência ao gesso vulgar, mais pesado e que pode estalar se for mal preparado. Para as construções, as ruínas, etc., utilize os modelos disponíveis ou fabrique-os com folha de plástico Evergreenou em madeira, usando, por exemplo, balsa. Estes elementos devem ser depois cuidadosamente ornamentados e integrados no cenário. Para a construção deste tem à sua disposição todos os materiais concebidos para a decoração das maquetas ferroviárias, entre as quais encontra diferentes tintas em pó ou em flocos para imitar a erva (após pulverização sobre uma superfície à qual se aplicou cola branca). Os líquenes de diferentes cores permitem a representação dos arbustos e da vegetação em geral; ramos de tomilho aos quais colará pedaços de líquen dão árvores notáveis de realismo. Citemos ainda os pós diversos, os grãos de cortiça, os produtos para imitar a água em terrenos lamacentos, etc. Não esqueça que a natureza pode fornecer-lhe uma quantidade enorme de materiais gratuitos: raminhos diversos, líquenes naturais, musgo, urzes, pedaços de cascas para representar rochedos, etc. E não duvidamos de que a sua imaginação e o seu talento farão o resto.

Ambientes e Dioramas

Com um diorama , representa-se uma cena, real ou imaginária, na qual se insere, ambientado com os outros elementos, o modelo que construímos. A construção de um diorama, seja ele simples ou complexo, deve ser sempre planificada antes da montagem do modelo. De facto, é frequente que a cena que tentamos reproduzir exija a intervenção do modelo através de modificações que seriam impossíveis de realizar numa fase avançada da montagem e que, por isso, devem ser previstas e decididas a partir do momento em que começamos a colar as primeiras peças. Também no que diz respeito à ambientação do modelo, tudo deverá ser pensado e decidido à priori. Assim, deveremos ter ideias bem claras quanto às dimensões exactas do diorama, quanto ao tipo de terreno, quanto à disposição dos elementos envolventes, quanto à eventual presença de veículos e figuras, etc. Nada deve ser improvisado nem reordenado numa fase posterior, quando já iniciamos a construção do diorama. É indispensável uma planificação atenta para evitarmos comprometer todo o trabalho por causa de um erro de cálculo das dimensões de elementos-chave do diorama ou, mesmo, por falta de alguns deles. Além disso, saber exactamente o que se pretende obter (e sobretudo, como o realizar) ajudar-nos-á a escolher projectos que estejam realmente ao nosso alcance, evitando sermos vítimas do entusiasmo por empreendimentos demasiado ambiciosos e superiores às nossas reais capacidades. Um bom diorama não deve apenas estar bem feito, também precisa ser verosímil e correcto do ponto de vista da reprodução histórica. Não se trata apenas de prestar atenção à realização material, também devemos cuidar do aspecto e da fidelidade histórica de todos os elementos presentes no diorama e da total veracidade da cena que tentamos reproduzir. Erros como colocar um modelo num lugar onde nunca esteve ou inserir num diorama elementos pertencentes a épocas diferentes podem ser evitados recorrendo sempre à evidência de testemunhos seguros, como fotografias ou documentos. Existem livros que apresentam as melhores obras de famosos modelistas, como François Verlinden ou Shepard Paine, nos quais nos podemos inspirar tanto para projectar o nosso diorama como para imitar as técnicas utilizadas. Entre as maiores dificuldades que a realização de um diorama pressupões conta-se a obtenção dos elementos indispensáveis que darão ambiente ao nosso modelos. A disponibilidade deste tipo de acessórios não é muito ampla, mas o seu número cresceu consideravelmente nos últimos anos. Poderemos servir-nos particularmente de kit's de acessórios aeronáuticos como os produzidos pela Revell, Fujimi, Hasegawa e Airfix. Outras marcas como Verlinden Productions, Woodland Scenics, PP Aeroparts, Belgo Models, etc., caracterizam-se pelo fabrico de acessórios para dioramas: uma vista de olhos pelos seus catálogos poderá satisfazer as exigências da maioria dos modelistas. Também não devemos afastar a possibilidade de utilizar materiais produzidos para outros fins, como os inumeráveis acessórios para os miniaturistas de caminhos de ferro ou de soldados às escalas HO (1/87) e 1/72.



Muitas vezes não será necessário dispor de grandes quantidades de material, como no diorama apresentado nesta página: um avião, duas viaturas militares, e meia dúzia de figuras, bem realizadas e bem colocadas, conseguem reproduzir com expressividade e eficácia a atmosfera desejada, seguramente mais fácil de obter que outras composições mais complexas que costumam resultar, quase sempre, demasiado dispersas e confusas.



5 de agosto de 2009

As colas e os seus usos

A importância de uma cola de boa qualidade é, muitas vezes, desprezada pelo principiante, que se convence de que qualquer cola pode servir. E, no entanto, muitos contratempos podem resultar de uma má escolha ou de uma má utilização da cola na montagem de um modelo de plástico. Convém, na verdade, utilizar apenas colas especiais para polistireno, vendidas já a pensar nos modelistas, e que se encontram em diversas qualidades e apresentações diferentes. Às vezes é preciso recorrer - como no caso de materiais como a resina e o latão fotogravado - a colas específicas para esses materiais, totalmente diferentes das utilizadas no resto do modelo. Exceptuando alguns casos, a escolha do tipo de cola a utilizar fica ao gosto do modelista, pois só com a experiência é que se pode aprender a utilizar adequadamente os diferentes tipos de cola. Por isso, referiremos apenas alguns dados de carácter geral relativos ao tipo e função das colas mais difundidas para modelismo. Até há pouco só se arranjava cola para plástico em tubos; e, apesar de ter sido agora ultrapassada pela cola líquida, a cola em tubo ainda pode ser muito útil para colagens de zonas que exijam uma resistência especial, e também para as peças que exerçam um certo esforço logo a seguir à montagem, como por exemplo os trens de aterragem, a fuselagem ou as asas. Nunca é de mais insistir que este tipo de cola deve ser aplicado em quantidades muito pequenas e com um palito, e nunca com a ponta do tubo. Actualmente, a cola mais utilizada no modelismo é a líquida, aplicada com o pincel que vem no próprio frasco. Como, de forma geral, a cola é muito volátil, devemos habituar-nos a trabalhar rapidamente, sobretudo no caso da montagem de grandes superfícies, como a fuselagem ou as asas. A cola líquida deve ser aplicada em ambas as peças a colar, com cuidado e parcimónia: ao dissolver o plástico, pode danificar as partes do modelo adjacentes àquelas que estamos a colar. Os danos involuntários podem ser reparados deixando a cola secar por completo. A seguir, betuma-se e lixa-se com uma lixa fina. Podemos aproveitar a tendência da cola líquida para derreter o plástico em casos especiais: é possível, por exemplo, eliminar folgas, sobretudo as de peças que se ajustem mal, aplicando uma generosa quantidade de cola sobre elas, deixando secar e, depois, lixando. Recentemente apareceram no mercado colas para plástico com aplicador (Revell, Humbrol, Testors, etc.): mais densas que as colas líquidas, podem ser aplicadas com enorme precisão em zonas pouco acessíveis, o que permite reduzir bastante as hipóteses de "desastres".

Cola "Contacta Professional" da "Revell" com aplicador de agulha.

 
Hoje em dia muito difundidas, as colas de cianoacrilato são indispensáveis para unir peças de materiais diferentes (metal, resina, plástico, madeira, etc.), os cianoacrílicos tem tendência para secar instantâneamente, tornando quase impossível correcções após a colagem da peça. O seu emprego requer muita atenção, tanto para evitar colar os dedos, como pela elevada toxicidade dos seus vapores. Deve ser sempre utilizada em pequenas quantidades. Também nunca nos devemos esquecer de fechar a embalagem, evitando deixar resíduos de cola na tampa e na embalagem, que podem dificultar ou, mesmo, impedir a sua abertura ou fecho. As colas cianoacrílicas apresentam diversas utilidades: têm um prático sistema de fecho de ranhuras (desde que não sejam muito estreitas), que pode ser lixado se secar, e também não atacam de forma permanente a superfície sobre a qual são aplicadas (não dissolvem o plástico).

O cianoacrilato (CA) é mais conhecido por "super-cola".
Entre as colagens mais delicadas na montagem de um avião, contam-se as peças transparentes, em particular a canópia ("canopy" em inglês) do cockpit: afastada a hipótese de usar cianoacrílico (porque os vapores deste tipo de cola tornam o interior opaco), o uso de uma cola, líquida ou em tubo para plásticos, requer uma grande atenção para evitar danos irreparáveis nas peças transparentes. A melhor solução, e a mais segura, consiste em usar uma cola de tipo vinílico (como, por exemplo, Vinavil) ou, melhor ainda, produtos específicos, como o Humbrol "Clearfix", ou o Superscale "Kristal Kleer". Quando secam, estas colas tornam-se totalmente transparentes, e qualquer eventual excesso pode ser removido sem danificar o plástico. Se não for esta a sua opção, use apenas cola branca para madeira; se não gostou do trabalho, retire a película depois de seca.